Presidente da Câmara dos Deputados defende uso do orçamento secreto
Para Lira, Congresso deve poder decidir sobre a aplicação de recursos
Para Lira, Congresso deve poder decidir sobre a aplicação de recursos
O presidente da
Câmara dos Deputados, Arthur Lira, defendeu nesta segunda-feira (21)
o chamado orçamento secreto – as emendas de relator-geral à Lei Orçamentária
Anual. As emendas vêm sendo criticadas por extrapolarem a função original de
fazer ajustes ao Orçamento e por serem usadas para fazer alterações
substanciais, sem ampla discussão, na utilização dos recursos públicos.
“O orçamento mal
fadado a que chamam de secreto é municipalista, é amplo, é democrático”, disse
o presidente da Câmara, em palestra proferida na Associação Brasileira de
Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados.
Segundo Lira, o
orçamento controlado pelo Congresso permite mais capilaridade e precisão na
aplicação dos recursos do que aquele que fica a cargo exclusivo do governo
federal. “Essa escolha [de onde aplicar os recursos] é aleatória, é pela
pressão do parlamentar, que, muitas vezes, tinha que ficar 5 ou 6 horas na
antessala de um ministro com uma pasta debaixo do braço”, disse.
O presidente da
Câmara rebateu ainda as críticas de que o sistema foi usado para melhorar a
relação do governo federal com o Congresso. “Essa democratização foi feita
e deram a impressão de que esse orçamento era para privilegiar o governo de
agora, quando não [é verdade]. Qualquer governo quer o orçamento para
si. Mas no mundo todo e no Brasil não será diferente. O Orçamento é fruto
de discussão, de votação, de remanejamento, de fiscalização, do Poder
Legislativo. O Poder Executivo então somente tem que executar”, acrescentou.
Lira defendeu ainda
que, nos próximos anos, o Congresso não só mantenha esse poder de decisão sobre
o Orçamento como também que amplie a atuação sobre as políticas públicas. “É
errado retroceder. Nós avançamos um pouco nas prerrogativas que, ao longo dos
anos, nós abrimos mão. Nossa luta, em Brasília, é para que essas prerrogativas
permaneçam, cresçam para que se chegue ao limite do constitucional”, enfatizou.
Na opinião dele, deveria ser aberto, inclusive, um debate sobre a redução da importância da Presidência da República com adoção de um regime semiparlamentarista. "Defendo também que o Brasil deveria discutir, com muita clareza, sem pressão eleitoral, a mudança do sistema para um semipresidencialismo. Não seria para 2022, não será para 2026, quem sabe para 2030.”
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